Os houthis, grupo armado do Iêmen alinhado ao Irã, tomaram nesta quinta-feira (10) a estratégica cidade portuária de Mocha e avançaram pela costa do Mar Vermelho, aumentando a preocupação internacional com uma das rotas marítimas mais importantes para o transporte de petróleo e mercadorias.
Fontes militares do governo iemenita informaram à Reuters que os houthis também avançaram até as ilhas Hanish. O movimento amplia a presença do grupo nas proximidades do estreito de Bab el-Mandeb, passagem que liga o Mar Vermelho ao Golfo de Áden e integra a rota marítima de acesso ao Canal de Suez.
A localização é estratégica. Bab el-Mandeb é utilizado por navios que transportam petróleo, combustíveis e mercadorias entre a Ásia, o Oriente Médio e a Europa. Qualquer ameaça à navegação nessa região pode provocar desvios de embarcações, aumentar custos de transporte e afetar os preços internacionais.
A situação se torna ainda mais delicada porque a Arábia Saudita utiliza a costa do Mar Vermelho como alternativa para o escoamento de petróleo em momentos de dificuldade no Estreito de Ormuz. Uma interrupção relevante também em Bab el-Mandeb poderia atingir outra importante saída para o transporte de energia da região.
Petróleo reage à escalada
A tensão teve reflexos no mercado internacional. O petróleo Brent, referência mundial, chegou a superar US$ 108 por barril nesta quinta-feira, diante das preocupações com o abastecimento e a segurança das rotas marítimas.
Os houthis, por sua vez, afirmam que a navegação internacional pelo Mar Vermelho e pelo estreito de Bab el-Mandeb permanece segura e que as restrições anunciadas pelo grupo são direcionadas a navios sauditas.
O avanço também aumenta o risco de uma nova escalada da guerra no Iêmen. Uma trégua mediada pelas Nações Unidas em 2022 havia reduzido significativamente os combates, embora o conflito nunca tenha sido solucionado definitivamente.
Os houthis controlam a capital Sanaa desde 2014 e mantêm domínio sobre grande parte das áreas mais populosas do norte do país. A Arábia Saudita interveio militarmente no conflito em 2015, apoiando o governo iemenita reconhecido internacionalmente.
Por que isso importa
A tomada de Mocha aproxima os houthis de uma região capaz de influenciar não apenas a guerra no Iêmen, mas também o comércio mundial.
Se a passagem de navios por Bab el-Mandeb for seriamente comprometida, embarcações que normalmente utilizariam o Mar Vermelho e o Canal de Suez podem ser obrigadas a buscar rotas mais longas. Isso significa mais tempo de viagem, maior consumo de combustível e aumento dos custos de transporte.
Os efeitos podem chegar a outros países por meio dos preços do petróleo, dos combustíveis e de produtos transportados por navios.
A Organização das Nações Unidas manifestou preocupação com a nova escalada. O enviado especial da ONU para o Iêmen, Hans Grundberg, alertou para os riscos decorrentes da presença dos houthis nos acessos a um dos estreitos marítimos mais importantes do mundo.



