Mais de 250 mil pessoas foram às ruas em manifestações por melhores condições nas escolas; confrontos deixaram estudantes, funcionários e policiais feridos

A França viveu nesta terça-feira (6) o maior dia de uma onda de protestos estudantis que já dura semanas e se espalhou pelo país. Mais de 250 mil pessoas participaram das manifestações, segundo o Ministério do Interior francês, enquanto os organizadores estimaram público de 450 mil.

Os atos começaram com estudantes do ensino médio, mas ganharam a adesão de professores e pais. As principais reivindicações envolvem falta de professores, salas superlotadas, problemas na estrutura das escolas e redução de recursos para a educação.

Nesta terça, manifestações ocorreram em dezenas de cidades. Houve confrontos com as forças de segurança em locais como Paris, Estrasburgo, Rennes e Toulouse. A polícia utilizou gás lacrimogêneo e jatos d’água para dispersar grupos envolvidos em episódios de violência.

O Ministério do Interior informou que 488 pessoas foram presas somente nesta terça-feira. O primeiro-ministro Sébastien Lecornu afirmou que, desde o início da mobilização, pelo menos 215 adolescentes e 85 funcionários de escolas ficaram feridos. Mais de 700 policiais também sofreram ferimentos durante os confrontos.

A tensão aumentou ainda mais depois que um estudante de 15 anos perdeu uma das mãos durante um protesto na segunda-feira (5), na cidade de Lens, no norte do país. Segundo o jornal francês La Voix du Nord, citado pela Reuters, o adolescente teria recolhido uma granada de efeito moral utilizada pela polícia. Uma investigação foi aberta para esclarecer o episódio.

Movimento começou nos subúrbios de Paris

A mobilização teve início em setembro nos subúrbios mais pobres de Paris e posteriormente alcançou outras regiões francesas. Alunos relatam problemas que vão desde ausência de professores até prédios deteriorados, vazamentos de água e presença de ratos em algumas unidades.

Nesta terça-feira, mais da metade das escolas de ensino médio do país estava bloqueada ou fechada, segundo a principal entidade representativa dos estudantes. Algumas autoridades educacionais recorreram a aulas on-line diante das manifestações.

O governo francês afirma que grupos externos passaram a se aproveitar dos protestos e contribuíram para episódios de violência. Entidades estudantis, organizações de direitos humanos e associações de pais, por outro lado, acusam as forças de segurança de uso excessivo da força, especialmente contra menores de idade.

Governo promete resposta

Diante da dimensão dos protestos, Lecornu determinou que ministros apresentem até o final de outubro propostas para atender parte das reivindicações.

Entre as medidas que deverão ser analisadas estão a substituição mais rápida de professores ausentes, mudanças na longa jornada escolar francesa e investimentos para recuperar prédios deteriorados.

O desafio será encontrar recursos. A França enfrenta crescimento econômico fraco, aumento do custo de sua dívida e forte pressão para reduzir o déficit público. A crise ocorre ainda a poucos meses da eleição presidencial francesa, prevista para a próxima primavera europeia.