Uma central clandestina montada em Jundiaí era utilizada por integrantes de uma facção criminosa para monitorar a movimentação de policiais e tentar antecipar operações das forças de segurança. A estrutura foi descoberta pela Polícia Civil durante uma investigação que durou seis meses e culminou, nesta sexta-feira (4), na Operação Colapso.
Sete integrantes apontados como integrantes do alto escalão da organização foram presos temporariamente. Segundo a Polícia Civil, eles exerciam a função de “sintonia”, atuando na liderança e supervisão das atividades criminosas na região. Dois são apontados como líderes do esquema.
A operação foi realizada por policiais da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) de Jundiaí. Foram cumpridos sete mandados de prisão temporária e sete de busca e apreensão. Durante a ação, outras cinco pessoas acabaram presas em flagrante por tráfico de drogas, porte ilegal de arma e lavagem de dinheiro.
Central clandestina vigiava a polícia
Um dos pontos que mais chamaram a atenção durante a investigação foi a estrutura utilizada pela facção para acompanhar a atividade policial. De acordo com a Polícia Civil, o grupo mantinha um centro clandestino de monitoramento equipado com câmeras e rádios comunicadores.
A central permitia acompanhar a movimentação dos agentes de segurança na região. Com as informações, os criminosos buscavam se antecipar às ações policiais e proteger as atividades comandadas pela organização.
Além do monitoramento, os investigados são apontados como responsáveis pelo comando do tráfico de drogas na região. Nas residências dos suspeitos, os policiais encontraram 1,3 mil papelotes de cocaína, outros 4,7 quilos da droga, porções de maconha e uma arma de fogo com a numeração raspada.
Também foram apreendidos apetrechos utilizados na preparação de entorpecentes, balanças de precisão, seladora, rádios comunicadores, anotações relacionadas à contabilidade do tráfico e R$ 10 mil em dinheiro.
Torturas e execuções no São Camilo
As investigações revelaram ainda uma estrutura de punição utilizada pela facção contra quem descumprisse as regras estabelecidas pelo grupo. Segundo a Polícia Civil, as vítimas poderiam ser inclusive integrantes da própria organização criminosa.
Quem desobedecia às determinações era levado para um local no bairro São Camilo, em Jundiaí, onde era submetido a castigos e torturas. Em determinados casos, segundo os investigadores, as punições terminavam em execução.
A Operação Colapso atingiu justamente o núcleo apontado como responsável por comandar e supervisionar essas atividades. Os investigados deverão responder por organização criminosa ultraviolenta, lavagem de dinheiro e tráfico de drogas.



