Inaugurada em 1867, a ligação ferroviária com São Paulo e Santos colocou Jundiaí em posição estratégica e abriu caminho para uma transformação urbana, econômica e industrial
Em 17 de fevereiro de 1867, Jundiaí ganhou algo que mudaria profundamente seu futuro: uma estação ferroviária.
Depois de aproximadamente cinco anos de obras na estrada de ferro, os trilhos da São Paulo Railway passaram a ligar Santos a São Paulo e, finalmente, a Jundiaí. Era a primeira ferrovia do Estado de São Paulo, construída justamente num período em que a expansão do café exigia meios mais eficientes para transportar grandes volumes de mercadorias até o porto de Santos.
Para Jundiaí, porém, o trem significaria muito mais do que uma nova maneira de viajar.
A cidade passaria a ocupar uma posição estratégica entre o litoral, a capital e o interior paulista.
Jundiaí era o fim da linha
A ferrovia terminava aqui.
Quem vinha de Santos ou de São Paulo pela São Paulo Railway chegava a Jundiaí, que se tornou um importante ponto de circulação de passageiros e mercadorias.
A Prefeitura registra que a ferrovia iniciou uma nova fase da urbanização da cidade. Jundiaí cresceu como centro de produção e distribuição justamente por sua localização estratégica. Pela estação circulavam mercadorias dos mais diferentes tipos — posteriormente até jornais, revistas, automóveis e outros produtos que representavam as novidades de cada época chegariam à cidade pelos trilhos.
O café estava no centro dessa transformação. Na segunda metade do século XIX, as plantações avançavam pelo interior paulista, enquanto Jundiaí se consolidava como ponto fundamental para o transporte da produção.
Depois, os trilhos seguiram para Campinas
A São Paulo Railway não quis prolongar sua estrada além de Jundiaí.
Fazendeiros e empresários paulistas decidiram então criar outra companhia para levar os trilhos em direção às regiões produtoras de café do interior.
Assim nasceu, em 1867, a Companhia Paulista de Estradas de Ferro.
As obras começaram em 1870 e, em 11 de agosto de 1872, ocorreu a viagem inaugural entre Jundiaí e Campinas.
Jundiaí passava, dessa forma, a funcionar como uma espécie de porta de entrada ferroviária para o interior paulista: de um lado estava a ligação com São Paulo e o porto de Santos; do outro, os trilhos avançavam em direção às áreas produtoras.
Outras ferrovias chegariam depois. A Ituana apareceu em 1873, a Itatibense em 1890 e a Bragantina em 1891, reforçando ainda mais a importância ferroviária de Jundiaí.
A cidade começou a mudar ao redor dos trilhos
A transformação não aconteceu apenas dentro da estação.
Com a ferrovia vieram novas atividades comerciais, serviços e, posteriormente, indústrias. A própria ocupação urbana passou a acompanhar os trilhos.
As primeiras fábricas instaladas ainda no final do século XIX se concentraram principalmente nas proximidades da ferrovia e do rio Guapeva.
A chegada dos trens também coincidiu com outra transformação profunda: o enfraquecimento do sistema escravista e a intensificação da imigração europeia. Nas décadas seguintes, milhares de imigrantes ajudariam a modificar a agricultura, o comércio, a indústria e a própria composição da população jundiaiense.
A estação que vemos hoje não é a original
Há uma curiosidade importante.
O prédio histórico associado atualmente à estação de Jundiaí não é exatamente o edifício inaugurado em 1867.
A primeira estação foi substituída entre 1895 e 1902 por uma construção muito maior, de influência vitoriana, com estruturas e ornamentos de ferro. Algumas peças utilizadas no edifício vieram da Europa e chegaram ao local — naturalmente — de trem.
Mais de um século e meio depois, os trilhos continuam atravessando Jundiaí.
Mas aquele primeiro trem de 1867 deixou algo muito maior do que uma estação.
Ele ajudou a transformar uma antiga cidade do caminho do interior em um dos principais entroncamentos logísticos do Estado de São Paulo.



