Recursos serão aplicados gradualmente em futebol e infraestrutura; projeto também envolve passivo milionário e estabelece metas para recolocar o clube na elite estadual e no cenário nacional
O Paulista Futebol Clube iniciou uma das maiores transformações de sua história. A implantação da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) colocou o futebol do Galo da Japi sob uma nova estrutura de gestão e trouxe consigo um projeto que prevê aporte inicial de R$ 30 milhões.
O valor, porém, não significa que R$ 30 milhões tenham simplesmente entrado de uma só vez no caixa do clube.
De acordo com o projeto apresentado pela nova administração, os recursos serão aplicados gradualmente, conforme as prioridades estabelecidas durante a implantação da SAF, tendo como principais destinos o futebol e a infraestrutura.
A operação é conduzida por um fundo de investimentos gerido pela EXA.
SAF ficou com 90%
A mudança começou a ser construída há mais de dois anos e entrou definitivamente em operação no segundo semestre de 2026.
A SAF adquiriu 90% dos direitos do Paulista. A associação que deu origem ao clube permaneceu com os outros 10%.
Na prática, a nova estrutura passou a ser responsável pela gestão do futebol do Galo, enquanto a associação continua existindo.
O processo foi precedido por auditoria, discussão sobre as dívidas acumuladas pelo clube e aprovação do plano de investimentos.
Onde entram os R$ 30 milhões?
O aporte inicial anunciado é destinado principalmente à estruturação do projeto.
Entre as prioridades apresentadas estão a reorganização do departamento de futebol profissional, o fortalecimento das categorias de base, maior integração entre a formação de jogadores e a equipe principal e investimentos na infraestrutura esportiva.
A aplicação deverá ocorrer por etapas.
Isso significa que o anúncio de R$ 30 milhões deve ser entendido como uma previsão de investimento inicial no projeto, e não como dinheiro disponível para ser imediatamente gasto em contratações.
A nova administração afirma que os recursos serão utilizados conforme as necessidades e prioridades definidas durante a implantação da SAF.
E a dívida do Paulista?
Esse é outro ponto importante — e separado do aporte destinado ao desenvolvimento do futebol e da estrutura.
Durante a apresentação da SAF, o passivo da associação foi estimado em aproximadamente R$ 120 milhões.
A dívida está submetida a um processo de recuperação extrajudicial já homologado. Dentro da estrutura apresentada, a SAF será garantidora do pagamento conforme os termos e condições estabelecidos nesse processo.
Portanto, são duas questões diferentes: de um lado está o aporte previsto para desenvolver a operação; de outro, o tratamento do passivo acumulado pela associação ao longo dos anos.
A reorganização financeira será, assim, um dos grandes desafios da nova fase do Paulista.
E o Jayme Cintra?
O estádio Dr. Jayme Cintra continua pertencendo à associação.
Apesar disso, a gestão do local foi cedida dentro da estrutura estabelecida com a nova administração. Dessa maneira, o estádio permanece como patrimônio da associação, mas sua utilização e gestão passam a fazer parte do projeto conduzido pela nova estrutura.
A situação é importante porque investimentos na infraestrutura estão entre as prioridades anunciadas pela SAF.
Meta é voltar à elite paulista
O projeto também estabeleceu objetivos esportivos para os próximos anos.
Um deles é devolver o Paulista à primeira divisão do Campeonato Paulista até 2030.
Atualmente na Série A3, o Galo precisará conquistar novos acessos para voltar à elite estadual.
No cenário nacional, a ambição é ainda maior: o planejamento apresentado estabelece como objetivo alcançar a Série C ou a Série B do Campeonato Brasileiro até 2032.
As metas são objetivos do planejamento e, naturalmente, não representam garantia de resultados dentro de campo.
Reconstrução depois de anos difíceis
O Paulista tenta reconstruir sua trajetória depois de um longo período distante das principais competições.
Nos últimos anos, o clube começou a reagir esportivamente e conquistou dois acessos consecutivos, deixando a última divisão estadual e chegando à Série A3.
Agora, a SAF acrescenta capacidade de investimento e uma nova estrutura administrativa a esse processo.
O desafio será transformar planejamento e recursos em resultados.
Para o torcedor jundiaiense, os próximos anos mostrarão se a mudança de modelo conseguirá devolver ao Paulista o protagonismo que o clube já teve no futebol paulista e nacional.



